O que é o VSME e como as PMEs portuguesas devem preparar-se
Sustentabilidade

O que é o VSME e como as PMEs portuguesas devem preparar-se

Equipa CORE

O standard VSME da EFRAG oferece às PMEs europeias um caminho proporcionado para o reporte de sustentabilidade. Descubra o que muda, quem é abrangido e como a sua empresa se pode preparar para este novo referencial.

Introdução ao VSME: um novo referencial para PMEs

O Voluntary Sustainability Reporting Standard for non-listed SMEs (VSME) é um dos desenvolvimentos mais significativos no panorama europeu do reporte de sustentabilidade. Publicado pela EFRAG — o organismo técnico responsável pelos European Sustainability Reporting Standards (ESRS) — o VSME foi desenhado especificamente para micro, pequenas e médias empresas que não estão abrangidas pela CSRD, mas que sentem pressão crescente para reportar o seu desempenho ESG.

Em Portugal, onde mais de 99% do tecido empresarial é constituído por PMEs, este standard tem um potencial transformador. Ao contrário dos ESRS completos, que exigem centenas de datapoints e recursos significativos, o VSME apresenta uma abordagem modular e proporcionada que permite às empresas iniciar o seu caminho de reporte sem necessidade de equipas dedicadas ou orçamentos elevados.

Porque é que o VSME existe

A Comissão Europeia reconheceu que as PMEs enfrentam desafios únicos no reporte de sustentabilidade. Por um lado, são cada vez mais solicitadas por bancos, grandes clientes e investidores a fornecer dados ESG. Por outro, os referenciais existentes — GRI Standards, ESRS, CDP — foram concebidos para grandes empresas e impõem uma carga desproporcionada a organizações com recursos limitados.

O VSME surge como resposta a este gap. O seu objectivo é duplo: dar às PMEs um instrumento credível e reconhecido para comunicar o seu desempenho de sustentabilidade, e, ao mesmo tempo, facilitar o fluxo de informação ao longo das cadeias de valor, onde as grandes empresas sujeitas à CSRD precisam de dados dos seus fornecedores.

Estrutura do VSME: três módulos progressivos

O VSME está organizado em três módulos de complexidade crescente, permitindo uma adopção gradual:

Módulo Básico (Basic Module)

Contém apenas 11 datapoints essenciais, cobrindo informação mínima sobre energia, emissões de GEE (Scope 1 e 2), força de trabalho e governance. É o ponto de entrada ideal para PMEs que nunca reportaram antes. Pode ser preenchido com dados já disponíveis na empresa, sem necessidade de recolha adicional significativa.

Módulo Narrativo-Políticas (Narrative-Policies Module)

Acrescenta informação qualitativa sobre estratégia de sustentabilidade, políticas ambientais e sociais, análise de materialidade simplificada e gestão de riscos. Este módulo é relevante para empresas que querem demonstrar maturidade ESG sem entrar na granularidade dos ESRS.

Módulo Business Partners (Comprehensive Module)

Orientado para PMEs que são fornecedoras de empresas sujeitas à CSRD. Inclui datapoints mais específicos, alinhados com os requisitos de reporte da cadeia de valor dos ESRS. É o módulo mais exigente, mas ainda significativamente mais simples do que os ESRS completos.

O que muda para as PMEs portuguesas

Pressão da cadeia de valor

Mesmo sendo voluntário, o VSME tornar-se-á um standard de facto para muitas PMEs portuguesas. As grandes empresas sujeitas à CSRD — que em Portugal incluem todas as cotadas, bancos e seguradoras, e progressivamente empresas com mais de 250 trabalhadores — precisam de reportar sobre as suas cadeias de valor. Isto significa que vão pedir dados ESG aos seus fornecedores, e o VSME será o formato preferencial para essa comunicação.

Acesso a financiamento

Os bancos portugueses estão a integrar critérios ESG nas suas decisões de crédito. O Banco de Portugal e a supervisão europeia incentivam a incorporação de riscos de sustentabilidade na análise creditícia. Uma PME que reporte segundo o VSME estará em melhor posição para aceder a financiamento sustentável, green bonds ou linhas de crédito com condições preferenciais.

Competitividade em concursos públicos e privados

Os critérios de sustentabilidade estão a ganhar peso nas compras públicas e nos processos de qualificação de fornecedores. Um relatório VSME pode ser um diferenciador competitivo importante.

Como a sua PME se pode preparar: 5 passos práticos

1. Faça um diagnóstico inicial

Antes de iniciar o reporte, avalie onde a sua empresa está em termos de dados ESG disponíveis. Que informação sobre consumo de energia, emissões, diversidade da força de trabalho e governance já recolhe? O Módulo Básico do VSME pode servir como checklist para este diagnóstico.

2. Comece pelo Módulo Básico

Não tente fazer tudo de uma vez. Os 11 datapoints do Módulo Básico são alcançáveis para qualquer empresa, mesmo sem experiência prévia em sustentabilidade. Comece por aí e construa maturidade progressivamente.

3. Envolva a liderança

O reporte de sustentabilidade não é apenas um exercício técnico. Requer envolvimento da gestão de topo para definir prioridades, alocar recursos e integrar a sustentabilidade na estratégia empresarial.

4. Automatize a recolha de dados

Invista em processos simples de recolha de dados. Mesmo uma folha de cálculo bem estruturada pode ser suficiente para começar. O importante é ter dados fiáveis e rastreáveis.

5. Procure apoio especializado

A consultoria em sustentabilidade pode acelerar significativamente o processo. A CORE, enquanto ONGD de utilidade pública especializada em sustentabilidade e responsabilidade social, apoia PMEs portuguesas na adopção do VSME e na elaboração de relatórios de sustentabilidade. Consulte os nossos serviços em /servicos/sustentabilidade/vsme.

O calendário: quando agir

Embora o VSME seja voluntário, a pressão do mercado está a criar urgência. As grandes empresas sujeitas à CSRD começaram a reportar em 2025 (exercício de 2024) e vão progressivamente solicitar dados às suas cadeias de valor. As PMEs que anteciparem esta necessidade terão uma vantagem competitiva clara.

A recomendação da CORE é iniciar o processo em 2026, mesmo que o primeiro relatório formal só seja publicado em 2027. Isto permite tempo para construir processos internos de recolha de dados, sensibilizar as equipas e alinhar a estratégia de sustentabilidade.

Conclusão

O VSME representa uma oportunidade para as PMEs portuguesas transformarem uma obrigação percebida numa vantagem estratégica. Com a abordagem certa — gradual, pragmática e orientada para a criação de valor — o reporte de sustentabilidade pode ser um catalisador de inovação, eficiência e competitividade.

A CORE tem experiência comprovada no acompanhamento de PMEs nesta jornada. Se pretende iniciar o seu processo de reporte VSME, contacte-nos para uma avaliação inicial sem compromisso.